sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Fran -Góes (Ecristio Raislan)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Condição

                    por André Luiz Oliveira

 

Ainda te cortando aos poucos

Te querendo em pedaços mal dormidos

Sei bem dos sonhos de totalidade

Que enfeita tua clara madrugada

 

Ainda te reconhecendo múltipla

Te desejando a cada mudança de casca

Sei bem da sobreposição epidérmica

Que um poder estranho sedimentou no teu corpo

 

Ainda te fixando os dois olhos

Te mostrado o movimento colorido da dança

Sei bem da vontade de descanso

Que te repousa numa única latitude

 

Ainda te oferecendo o desconforto

Te descrevendo a inexatidão da palavra

Sei bem o quanto te feres os sentidos

Que escapam do reino de tuas verdades



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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Jornal Expresso 18 - Nº 3 (Baixar)

sábado, 11 de julho de 2009

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Enc: sobre mapas e lembranças

Sobre mapas e lembranças

(andré luiz oliveira)

                        

Eu acredito em alguns dias

E ainda assim respiro lágrimas.

Se daquele beijo restou uma imagem enquadrada

É porque gostávamos mais de fotografia que de romances

Vês agora que nem por isso somos menos concorrentes

Apenas deixamos de lado as ilusões do enlace

Que nos mergulhou num idílio de conforto e doçura

Mas o gosto da distância não é ruim.

 

Eu acredito em alguns dias

E ainda assim recebo flores.

Se fosse possível um último toque

Pediria para que te vestisses de branco

Pra te mostrar os erros escondidos naqueles sonhos

 

Eu acredito em alguns dias

E ainda assim carrego mágoas.

Parece que a dor te trouxe pra perto

Mas não sabes em que posição atracar

Pois os meus desejos não se criam em mapas

Como tuas eternas lembranças...



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segunda-feira, 4 de maio de 2009

A micareta dos picaretas

Falar, escrever, significa: falar contra, escrever contra. (Silviano Santiago)


A preconizada micareta da diversidade cultural postulada pela prefeitura de Alagoinhas nunca enganou, nem enganará uma única mula míope com lente de aumento, exceto as mecena(s)-rias ávidas em abastecer seus cofres com a boa ação da madre-gestora. Desde os bastidores, a micareta, ala-folia 2009, recebeu acusações de “lavagem” de dinheiro. A indústria do axé e toda sua maquinaria: produtoras, mídias, agências de Turismo etc., há décadas hegemônica nas festas “populares” no estado da Bahia, impassível como pedra a essas denúncias, cantou seus alegres versos em solo alagoinhense.

Enquanto isso, sem outdoors, jornalistas ou fotógrafos, e grande público, a um cachê infame, os artistas locais foram alocados em cercanias a margem do evento sob a velha sentença, que se assemelha mais a uma anátema. Dizem nossos gestores: “No centro os filhos de Deus bem remunerados pela graça alcançada, ao lado os famigerados pecadores, à espera do chamado divino”. Eis as suas palavras, sua verborragia de boas intenções.

Contudo, quem foi na sexta-feira a um desses espaços-underground, vigiado por policiais, pôde assistir ao poético show do rapper MC Osmar. Ele fez do seu poderoso freestyle, extensão inventiva da política de suas letras, um poderoso instrumento de sublevação à perseguição policial da sua gente, ao desprezo dos poderes constituídos a situação social da comunidade do Petrolar, cuja comunidade desenvolve trabalhos sociais, e à falta de uma política cultural que possa dar conta da demanda dos artistas independentes. Nesse sentido, qualquer crítica ao artista do tipo “se vendeu” deve ser colocada em relação com outros artistas que tocam nos centros da micareta e a todos aqueles que cobrem esse evento para perguntarmos: “quem é que se vendeu”?

Senhores jornalistas publiquem esse texto, é ralo porque é como pirão de água com farinha de mandioca.

Cristopher Moura é membro do Coletivo Odradek de Cinema Nômade